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Afirma Pereira, mas afirma mal

por paulao, em 08.01.17

Segundo me informaram, o comentador Pacheco Pereira ultrapassou ontem todos os limites da razoabilidade e do bom-senso no programa "Quadratura do Círculo". Afirmou o comentador Pacheco Pereira que eu teria aproveitado a minha condição de ministro da Defesa para divulgar, como líder partidário, um "documento do Ministério da Defesa Nacional" no debate a cinco da RTP.

 

Documento esse que, ainda segundo o comentador Pacheco Pereira, deveria ser "reservado" ou "confidencial". Acrescentou mesmo que gostaria de saber "qual é a classificação do documento". Para que não tenha mais dúvidas e não volte a comentar de modo leviano assuntos que manifestamente ignora, posso informar o comentador Pacheco Pereira que o tal "documento reservado" é apenas um despacho público, publicado no mais público dos meios públicos de comunicação: o "Diário da República".

 

Sendo o comentador Pacheco Pereira um especialista em ataques infundados ao CDS, pedia-lhe que, da próxima vez, se informasse devidamente sobre os assuntos que resolve comentar. Junto publico aqui também o esclarecimento enviado pelo CDS a alguns meios de comunicação social e o referido "documento" - tão secreto afinal como o próprio comentador Pacheco Pereira. 

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ESCLARECIMENTO DO CDS

por paulao, em 31.12.16

1. No debate entre os cinco líderes partidários na RTP, no passado dia 15 de Fevereiro, o dr. Paulo Portas demonstrou a diferença essencial entre as provas dadas pelo CDS e pelo PS no combate ao desemprego na área da Defesa. Para o comprovar publicamente, citou então o dr. Paulo Portas um despacho assinado pelo ministro da Defesa, dr. Rui Pena, seu antecessor nomeado pelo Partido Socialista, em que se ordenava a constituição de “um grupo de missão no sentido de definir e propor o plano conducente ao encerramento e extinção” das Oficinas Gerais de Fardamento e Equipamento e da Manutenção Militar. Tratavam-se de 1.608 trabalhadores que ficavam no desemprego, eram 1.608 empregos postos em causa pelo Governo do engº António Guterres.

 

2. De seguida, o dr. Paulo Portas recordou que um dos primeiros despachos por si assinado logo que assumiu responsabilidades no Ministério da Defesa, determinava precisamente a suspensão da decisão do ministro socialista, Rui Pena, apostando na recuperação económica das empresas e na salvaguarda dos referidos postos de trabalho. O que, como é do conhecimento público, é uma das mais fortes marcas do CDS como partido de Governo em Portugal. Ambas as empresas, pertencentes aos Estabelecimentos Fabris, estão hoje em pleno processo de recuperação, todos os 1.608 empregos foram salvaguardados.

 

3. Ontem à noite, num programa de debate na SIC/Notícias, mais concretamente na «Quadratura do Círculo», entre as 23h20 e as 23h21, o comentador José Pacheco Pereira resolveu pôr em causa a honra e o bom-nome do dr. Paulo Portas. Afirmou o comentador Pacheco Pereira que, para o efeito, “o dr. Portas, ontem [no debate na RTP], fez uma coisa que mostra que ele não tem qualidade de homem de Estado, que é, divulgou um documento do Ministério da Defesa Nacional, ele que é Ministro da Defesa, divulgou um documento do seu Ministério, na sua qualidade de dirigente partidário, para atacar o último responsável socialista da Defesa”. Disse mesmo, demonstrando deste modo e uma vez mais a sua ignorância sobre os assuntos que comenta, que “gostava de saber qual é a classificação do documento. Eu não acho normal que os documentos do Ministério da Defesa, que de um modo geral têm a classificação de Reservado e Confidencial, possam ser utilizados numa campanha eleitoral da maneira que foram. Evidentemente que não existe um verdadeiro sentido de Estado. Senão, imediatamente, os jornalistas pediam o documento e iam ver a classificação e contestatavam a utilização por parte de um dirigente partidário de um documento interno do seu Ministério”.

 

4. Sem se deter, o referido comentador acrescentou que “um documento interno do Ministério não pode ser divulgado, não pode ser divulgado pelo Ministro num debate partidário e, é evidente, que o engº Sócrates, que aqui era aquele que deveria soar as campaínhas todas, também não dá por elas, porque estas coisas se passam, porque, no fundo, já há um «laissez-faire, laissez-passer», uma espécie de prática completamente laxista em relação ao Estado que o dr. Portas, que está sempre com pose de Estado, violou de uma forma grave, ontem, no debate”. Concluía o mesmo comentador que o problema é que “ninguém liga nenhuma”. É a tudo isto que o CDS pretende agora responder, claramente, restabelecendo assim a verdade dos factos que o comentador Pacheco Pereira uma vez mais não respeitou entre republicanos progressistas.

 

5. O CDS informa o comentador Pacheco Pereira que os despachos citados pelo Dr. Paulo Portas no debate a cinco da RTP, no passado dia 15 de Fevereiro, são de livre acesso e podem ser consultados por todos e cada um dos portugueses, tal como o foram pelo CDS. Não são “classificados”, não sendo, por isso, “secretos”, “reservados” ou “confidenciais”. Não têm, repete-se, qualquer tipo de classificação. Estão aliás publicados na mais pública das publicações oficiais portuguesas, mais concretamente no Diário da República. Se o comentador Pacheco Pereira se informasse devidamente antes de comentar assuntos que manifestamente ignora, poderia consultar o despacho nº 7030/2002 (2ª série) do ministro socialista da Defesa Nacional, Rui Pena, publicado no Diário da República – II Série, Nº 80, em 5 de Abril, nas págs. 6253 e 6254. Ou seja, o referido documento que tanta preocupa e parece tirar o sono ao comentador Pacheco Pereira, afinal, tem a classificação mais transparente que pode haver: é público, foi publicado no Diário da República.

 

6. Não merece sequer discussão o extraordinário argumento do comentador Pacheco Pereira segundo o qual não seria lícito discutir num debate político sobre a governação dos próximos quatro anos o que cada um dos membros de cada partido fizeram ou deixaram de fazer na gestão das unidades fabris que tutelaram.

 

7. O comentador Pacheco Pereira deveria saber que o ressentimento não abona à lucidez. Como por este esclarecimento se prova, o dr. Paulo Portas não usou qualquer documento «confidencial», «secreto» ou «reservado» da Defesa. O comentador Pacheco Pereira é que levantou uma suspeição totalmente infundada. Aguardamos que rectifique. E este é o documento "secreto", segundo o comentador de bancada, que foi publicado no "Diário da República" em 5 de Abril de 2002.

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